Abrindo os olhos para as redes sociais no varejo de moda

Vendo este vídeo em que Scott Shuman fala sobre como o Instagram pode inspirar o varejo, fico pensando em como esse mesmo varejo ainda não encara a realidade e o poder – positivo ou não – de todo mundo carregar uma “câmera” na mão e um monte de amigos e seguidores a tiracolo.

A proibição de se tirar fotos dentro das lojas é bastante comum porém hoje em dia, sem sentido e ultrapassada.

Não pode tirar foto da loja, do manequim, da peça em exposição? Ok. Entro no provador e tiro quantas fotos eu quiser sem a interferência de ninguém. Estão ai milhões de blogueiras que fazem isso e não me deixam negar.

Até quando será assim?

Até quando o varejo vai dormir no ponto para as oportunidades que estão aqui, agora?

Não seria mais interessante as marcas incentivarem seus consumidores a ir para a loja, tirar fotos de manequins e novidades e postar em redes sociais, alcançando possíveis consumidores que de outra forma não ficariam sabendo sobre aquele produto incrível que a loja/marca recebeu esta semana?

Afinal, nem todos gostam ou seguem marcas nas redes por “N” motivos, mas todos tem amigos e geralmente prestamos atenção ao que eles postam.

Sei que o “medo”da cópia é um dos motivos para proibições, mas convenhamos, não é nem um pouco eficaz, dadas as soluções já citadas encontradas para dibrá-las.

Num momento em que se fala tanto sobre criação de diálogo com consumidores, engajamento e etc, as marcas se esforçam criando ações institucionais, mas quando chega no ponto de venda, o diálogo é interrompido causando a sensação de exclusão da conversa. De que uma vez o consumidor chega a loja, ele deve seguir as regras ditadas pela marca.

Dentro deste contexto e com novas tecnologias sendo implementadas no varejo as marcas de moda precisam buscar novas formas de contato com o cliente no PDV. E com os seguidores dele pelas redes sociais afora.

Abs,

Natália.

A “tendência” no discurso decorado do varejo

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Quantas vezes você saiu para comprar alguma coisa e se deparou com um “está super na moda, é tendência, X marca tem igual” e todo esse bla bla bla de vendedores para te empurrar algo?

Presencio situações como essa frequentemente e confesso que me sinto bastante desconfortável na maioria das vezes por dois motivos:

1- Pessoas te empurrando qualquer produto/serviço é muito chato;

2- Porque eu, tendo um pouquinho de conhecimento sobre moda, percebo que na maior parte das vezes é simplesmente discurso decorado, sem nenhum embasamento. Tudo vira “última moda”.

Sei que muitos consumidores adoram ouvir discursos deste tipo e é um argumento de vendas, porém não seria mais bacana para as lojas, treinar os vendedores para passar informação de moda real e consistente?

Acho muito incoerente uma empresa de moda ter vendedores – para mim uma das partes mais importantes da imagem da marca – que não conheçam seu produto/marca a fundo e não se interessam por moda ou pelo segmento que a marca atua.

Bom atendimento é um diferencial no mercado e vendedores bem informados tem influência direta para que ele aconteça.

Como em muitos setores da moda no Brasil, falta profissionalização.

Muitas empresas ignoram (ou não encontram) profissionais qualificados para assumir postos no varejo que em contra partida é também ignorado por outros tantos profissionais .

Posso estar errada, mas tenho impressão que o trabalho no varejo, na loja é encarado como “sub emprego”, algo inferior e transitório.

Diante dessa situação perdem ambos: empresas que poderiam contar com bons profissionais no canal de contato direto com os consumidores e os profissionais que rejeitam uma experiência essencial para a carreira no mercado de moda.

Abs,

Natália.

Experimentando

Sei que já estamos no meio de fevereiro e talvez este post soe meio atrasado. Ou talvez não, porque acredito que não exista um único momento para se propor mudanças.

Em 2012 fiz várias coisas novas e desafiadoras. Experimentei e tentei muitas grandes e pequenas coisas.

Me casei, morei em um país novo, comecei este blog, voltei para o Brasil, procurei e achei trabalho onde nunca tinha me imaginado, usei mais cores de make, fiz combinações diferentes de roupas, passei a usar unhas redondinhas, li mais sobre sociologia, mais sobre moda e negócios entre muitas outras coisas.

Nessas tentativas, experimentei uma porção de sensações: alegria, liberdade, insegurança, poder, solidão, angustia, felicidade.

Consegui oportunidades bacanas embarcando em situações novas e hoje acho maravilhoso eu ter ampliado minha visão e ter me dado a chance de tentar.

Porque muitas vezes a gente simplesmente não se dá chance de fazer algo novo, de rever, de pensar por outro lado. Fica insistindo em coisas e perde muitas possibilidades.

Aqui falo de todo o tipo de coisa: do que você quer fazer da sua vida, suas ideias sobre as coisas, corte de cabelo, cor de batom, roupas, livros que lê, filmes que vê. Tudo.

Sempre dá para se propor experimentar algo diferente. Tentar o novo para ver como é. Um desafio mínimo.

Cada um dentro das suas possibilidades, sem extravagâncias, nada mirabolante.

Se permitir.

Este ano continuo tentando.

Abs,

Natália.

Tavi musa

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Quando li pela primeira vez o “Style Rookie”, a Tavi já era famosa, já frequentava desfiles e tudo mais.

Confesso que não dei muita bola para o que ela escrevia, mas achei as influências muito interessantes. Incomuns. Ela tinha 13,14 anos e falava de feminismo, ouvia cantoras folk dos anos 70. Gostei.

Com a “Rookie Mag” foi diferente.

Adorei de cara. A proposta, o visual, os textos.. Achei extremamente inspiradora.

Com uma abordagem diferente que fala de mil e um assuntos com colaboração de quem quiser participar. Qualquer pessoa. O resultado é original, sem aquela coisa padrão que estamos acostumados a ver na grande maioria das revistas e blogs mundo a fora.

O público principal é adolescente mas desafio qualquer um com mais de 20 e poucos anos a não se identificar com pelo menos um, dos milhões de textos que estão lá.

E não espere posts “cor de rosa”. Tem desde  dicas para abrir seu próprio negocio até discussões sobre apropriação cultural passando por beleza, sexualidade e moda, claro (o assunto principal do Style Rookie).

Hoje sou muito fã da Tavi. Ela cresceu (está com 16), linda, cada dia mais inteligente, criativa, educada, independente e desdobrando a Rookie Mag em projetos bacanas.

Uma inspiradora exceção no meio de tanta gente que escreve, escreve, escreve e não tem nada a dizer.

 Abs,

Natália.

O amadorismo e a moda

Este é um post desabafo.

Sobre o descontentamento com nossos “empregadores” da área de moda.

Tenho participado de algumas seleções de trabalho, conversado com gente da área na mesma situação e realmente não dá para entender o amadorismo em que tantas empresas trabalham e tratam candidatos e empregados.

E dá-lhe “chefes, diretores e rh’s” que te dão chás de cadeiras horrorosos, que não se preocupam em ler seu currículo previamente enviado e te fazem repetir cada linha, que te entrevistam em 5 minutos, sem ao menos olhar na sua cara, que te mandam responder questionários com perguntas que não fazem nenhum sentido, tipo “Cite situações que mostram sua disposição para trabalhos árduos “ – oi?, que te pedem para fazer uma “pesquisinha” ou para fazer desenhos para ver como você “trabalha, desenha”, que não te dão nenhuma satisfação sobre o andamento/conclusão do processo, mesmo que você não tenha sido selecionado. Até chegar as situações mais desrespeitosas:  dizer que você não tem experiência suficiente te forçando/induzindo a aceitar um salário mais baixo ou pessoas que acertam com você a criação de peças/coleções e depois do trabalho pronto, somem. Sem te pagar, é claro.

É incrível como todo mundo que trabalha na área tem uma estória do tipo para contar.

Me espanta a precariedade como muitas empresas, inclusive as com “nome, visibilidade” e que cobram fortunas por suas peças, funcionam sem nenhum profissionalismo, com superiores com síndromes de gênios que tratam as pessoas sem nenhum respeito, gritando, humilhando e por aí vai.

E uma das coisas mais ruins que acontecem é que tem muita gente que se submete a essas situações.

Que trabalha sem ganhar nada, só pelo nome da empresa, que aceita remunerações ridículas enquanto se mata de trabalhar e ouve gritos e escândalos quietos.

De um setor industrial que é o segundo maior empregador da economia brasileira, estamos bem mal.

Não sinto nenhuma valorização do profissional que estuda mais, que faz cursos, que investe em uma pós graduação.  Isso simplesmente não é levado em conta.

E me faço uma pergunta sempre:  Como são/serão absorvidos todos os milhares de profissionais que estão saindo das faculdades de moda?

Porque iniciativas que incentivem a criação de empresas, que dão suporte comercial e de negócios para esse pessoal também não conheço quase nenhuma, pelo menos por parte das entidades ligadas ao setor.

Um mercado tão glamurizado, tão cheio de pompa e tão amador…

Abs,

Natália.

Ouvindo para pesquisar moda

Algumas coisas mudaram desde o último post.

A maior delas foi a volta para o Brasil depois de uma temporada na linda – e quente! – Sicília.

Foi muito legal poder exercitar meu olhar sobre a moda e sobre alguns pontos do nosso país no exterior, porque nossa influência cultural é quase toda de fora.

***

Já em SP, tive a oportunidade há duas semanas, de fazer parte de uma equipe que faz pesquisas para uma grande fabricante de calçados nacionais. Fui até as lojas e ouvi a opinião dos consumidores sobre determinados produtos.

Para mim foi duplamente bacana: como pesquisadora e como profissional de moda.

Ouvi vários comentários interessantes que eu nem imaginava sobre o público pesquisado e sobre a percepção que eles têm/tiveram sobre os produtos.

Fiquei pensando então, em como seria bom para a moda brasileira se os profissionais de criação e estilo fossem para o mercado conversar e observar seus consumidores reais.

Eu, como profissional da área sei bem como são feitas a maioria das pesquisas de moda: basicamente atrás do computador em sites, revistas e blogs de streetstyle de fora ou indo direto na fonte: viajando para NY, Paris, Londres etc.

Essa busca é parte importante do processo de criação e será que ouvir as pessoas que vão até as lojas e os que estão todos os dias lá não seria igualmente importante?

Não se deve tentar descobrir o que o consumidor quer – porque ele quer muitas coisas – e sim tentar entender qual a relação dele com a moda e mais importante ainda, com a moda que você esta criando.

Não demanda nenhum esforço milionário e acredito que ajudaria até a se criar uma moda mais brasileira.

Explico: com essa coisa de pesquisar muitas vezes em cima de outras pesquisas, “trend reports”, a gente passa sempre a reproduzir o que foi pensado para outros mercados, climas e consumidores. Impondo e criando “desejos de moda” que não são os das pessoas que compram  nossos produtos.

Acredito que ouvindo os consumidores a gente consegue se aproximar mais do estilo de vida que eles levam,  das necessidades que a roupa tem que solucionar – e isso inclui ficar bonito, estar “na moda” – e consequentemente entregamos uma moda mais parecida com ele.

Comentários são bem vindos 😉

Abs,

Natália Tiberio

Popular no exterior, luxo no Brasil

Ando acompanhando pela internet a abertura de lojas “gringas” no Brasil.

Acho bacana que o país tem se tornado atrativo para grandes grupos internacionais, incluindo os de luxo.

Mas, confesso que não consigo entender porque uma loja tão popular aqui na Europa como a Sephora por exemplo, que tem uma loja em cada esquina de Paris, Londres e até aqui em Catânia(!) onde com qualquer 5 euros, você compra alguma coisa, nem que sejam esmaltes, chega no Brasil, abrindo sua primeira loja no Shopping JK Iguatemi, ao lado de marcas de luxo como Gucci e Dior.

Por que essa mudança de posicionamento? Ok, sei que a maioria dos produtos que a Sephora venderá em sua loja brasileira é de importados e que isso joga o preço de qualquer produto nas alturas, mas ainda assim, será que não seria mais interessante abrir uma loja em um local mais acessível e tentar trabalhar com alguns produtos igualmente mais acessíveis ao bolso da parcela da população que mais dispõe de dinheiro para comprar atualmente: a tão falada “nova classe média”?

Porque não venha me dizer, como fez o Sr. Jereissati aqui, que o público que irá ao JK Iguatemi é a classe média! Quando leio “luxo” e “classe média”  na mesma frase, acho que tem algo errado.

Ou será que uma pessoa que ganha os seus 2 mil reais – está portanto dentro da classe média, segundo critérios do IBGE visto aqui – faz umas comprinhas de fim de semana no JK? E carrega feliz suas sacolas Gucci, Dior e afins?

Tenho quase certeza que não.

Me parece bastante incoerente empresas chegarem no Brasil para aproveitar a “maré” da classe média e se posicionarem no mercado de forma inacessível a maiora dela.

Assim como a Sephora, a Top Shop é um outro exemplo.

Fast-fashion inglesa super popular, que vende para as jovenzinhas sem muita grana para gastar, mas que querem modelinhos “descoladinhos”.

Li que tem vestidos a partir de 210 reais e por aí vai. Não acho um preço muito classe média em comparação as C&A’s e Renner’s da vida.

Apesar do “equívoco” de posicionamento – na minha opinião – acredito que as lojas serão um sucesso no Brasil. Mas para o mesmo público que já está acostumado há tempos a sair do país e fazer suas comprinhas no exterior e que podem pagar mais caro por esses mesmos produtos no Brasil. Que certamente não é a classe média.

Abs,

Natália Tiberio.