Ouvindo para pesquisar moda

Algumas coisas mudaram desde o último post.

A maior delas foi a volta para o Brasil depois de uma temporada na linda – e quente! – Sicília.

Foi muito legal poder exercitar meu olhar sobre a moda e sobre alguns pontos do nosso país no exterior, porque nossa influência cultural é quase toda de fora.

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Já em SP, tive a oportunidade há duas semanas, de fazer parte de uma equipe que faz pesquisas para uma grande fabricante de calçados nacionais. Fui até as lojas e ouvi a opinião dos consumidores sobre determinados produtos.

Para mim foi duplamente bacana: como pesquisadora e como profissional de moda.

Ouvi vários comentários interessantes que eu nem imaginava sobre o público pesquisado e sobre a percepção que eles têm/tiveram sobre os produtos.

Fiquei pensando então, em como seria bom para a moda brasileira se os profissionais de criação e estilo fossem para o mercado conversar e observar seus consumidores reais.

Eu, como profissional da área sei bem como são feitas a maioria das pesquisas de moda: basicamente atrás do computador em sites, revistas e blogs de streetstyle de fora ou indo direto na fonte: viajando para NY, Paris, Londres etc.

Essa busca é parte importante do processo de criação e será que ouvir as pessoas que vão até as lojas e os que estão todos os dias lá não seria igualmente importante?

Não se deve tentar descobrir o que o consumidor quer – porque ele quer muitas coisas – e sim tentar entender qual a relação dele com a moda e mais importante ainda, com a moda que você esta criando.

Não demanda nenhum esforço milionário e acredito que ajudaria até a se criar uma moda mais brasileira.

Explico: com essa coisa de pesquisar muitas vezes em cima de outras pesquisas, “trend reports”, a gente passa sempre a reproduzir o que foi pensado para outros mercados, climas e consumidores. Impondo e criando “desejos de moda” que não são os das pessoas que compram  nossos produtos.

Acredito que ouvindo os consumidores a gente consegue se aproximar mais do estilo de vida que eles levam,  das necessidades que a roupa tem que solucionar – e isso inclui ficar bonito, estar “na moda” – e consequentemente entregamos uma moda mais parecida com ele.

Comentários são bem vindos 😉

Abs,

Natália Tiberio