Saindo para ver o mundo, o Brasil descobre o Brasil.

Tive um problema com a internet na semana passada, por isso não consegui publicar nada nestes dias 😦

Bom, após ter lido este post “Levante a cabeça, massa-rainha” do blog da Vivian Whiteman que considero a pessoa que melhor escreve sobre moda no Brasil, minha primeira reação foi: é isso ai, assino embaixo! Mais tarde, depois de ter pensado mais sobre o assunto (sim os textos da Vivian tem este poder, coisa rara hoje em dia) resolvi escrever este post.

Não que eu tenha mudado totalmente de opinião, pois acredito que ficar se espelhando em criações e elites “criativas” que nada tem a ver com o estilo de vida da grande maioria dos brasileiros é se manter num eterno lenga lenga que nunca vai chegar a uma moda/estilo mais com cara de Brasil.

Porém, pensando na “massa rainha” me perguntei: será que o Brasil está preparado para o desapego consumista-inspiracional-americano-europeu? Será mesmo que é isso que as pessoas querem no momento? Eu acho que não.

O pais com a classe média em ascensão que já é mais da metade da população e com um pouquinho mais de dinheiro para gastar está começando a descobrir o mundo agora. Sem ser somente pela internet através dos blogs de streetstyle, revistas internacionais e afins.

Estão saindo pra conhecer os lugares que sempre sonharam, visitando as lojas e comprando marcas que sempre admiraram.  Estão efetivamente começando a consumir as coisas de fora porque só agora elas estão mais acessíveis. E acredito que esta vontade deve permanecer por mais um tempo.

Ouvi de uma professora uma vez que só quando a gente sai do nosso pais é que aprende a olhar para ele de uma forma nova. E acho que este é o caminho.

Depois da “massa rainha” ter ido ver o mundo é que ela vai parar e olhar  para si mesma e ver o que tem realmente a cara dela, que soluciona seus problemas e que acompanha o estilo de vida que ela leva.

E as marcas brasileiras vão ter que entender isso. Que o que eles ditam como a última moda não sei aonde, simplesmente não vai mais atender a essa massa que pega trem-ônibus-metro, anda pelas calçadas esburacadas e enfrenta todas as estações do ano num só dia, numa cidade como São Paulo.

Não dá pra sair de casa com aquele vestidinho esvoaçante com uma “tendência transparência” + saltos matadores e andar 2 horas de condução lotada minha gente!

Mas é uma questão de tempo e de descobertas. Primeiro do mundo. Depois de nós mesmos.

Pode ser que demore mais um pouquinho, mas certamente acontecerá.

Abs, Natália.

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What Did You Give Up, To Get What You Got?

As palavras da Rina (Truth and cake) se encaixam perfeitamente no meu momento atual, de redescoberta, repensar o que é mais importante, o que eu quero realmente, o que eu posso fazer, de valorizar o que tenho e ser grata pelas pessoas que tenho ao meu lado.
Essa viagem de auto conhecimento tem se mostrado bastante desafiadora.
Boa leitura.

Abs, Natália.

Os italianos e a moda de todo dia

Na Itália que abriga uma das quatro mais importantes semanas de moda do mundo, a gente tende a achar que todos os cidadãos são super bem vestidos todos os santos dias e em qualquer lugar. Bom, quando cheguei aqui em Catania (Sicília) minha excitação logo se transformou em muxoxo. Pelo menos para as mulheres. Porém elas serão assunto para outro post. Hoje o negócio é com os homens.

Nas ruas, a proporção de homens bem vestidos é muito maior que a de mulheres.

E é curioso e delicioso – para mim, Designer de moda que desenha moda masculina – ver como as propostas de passarela de alguns nomes da moda italiana realmente chegam às ruas. Ou seria o contrário?

O fato é que caminhando pela cidade, vejo homens vestindo o clássico italiano: costume (paletó+calça) com sapato sem meia, usando mais estampas e cores, calças mais curtas, paletó e calça de cores diferentes usados juntos e até algumas bolsas.

E estou falando de homens comuns, de todas as idades e não só de um nicho “criativo-que-trabalha-com-moda-e-afins”. Se você parar em frente ao Palazzo di Giustizia ou do Forum eles estarão lá, assim como andando pelas ruas no fim de semana, ou sentados numa Pasticceria tomando café, tipo as 9 da manha de uma quarta-feira.

As vitrines das lojas estão cheias de looks que acompanham e reforçam o estilo com muitos mocassins coloridos e paletós e calças mais justas e bem cortadas.

Depois de ver os desfiles da semana de moda de Milão, percebi que muitas marcas vendem fielmente o estilo italiano para o mundo.

Vale dizer que o norte da Itália, onde fica Milão e o sul, onde está a Sicília, são mundos bastante distintos mas ainda assim há uma identidade muito forte que torna a moda masculina italiana reconhecível em qualquer lugar do mundo.

Desses últimos desfiles me chamaram atenção:

Gucci: sempre muito italiana, mostrou alguns looks com mais cores e as formas ajustadas que vejo todos os dias aqui.

Dolce & Gabbana: com uma coleção inspirada na Sicília – oba! – a terra do Domenico Dolce, teve várias estampas que facilmente chegariam nas ruas de Catania.

Ermenegildo Zegna, Trussardi e Emporio Armani: mostraram além do clássico italiano, cores mais claras para os costumes, que vejo muito rapazes usando.

Salvatore Ferragamo e Valentino: os looks todos usados com tênis. Se usa muito aqui, vocês nem imaginam! Os modelos propostos são bem mais bonitos do que os que os moçoilos usam, portanto fast fashion italianas, botem pra vender já!

Com todo o crescimento noticiado do setor e entre algumas propostas que provavelmente não sairão de alguns nichos do mercado, é muito interessante estar aqui e ver como algumas marcas entregam boas e reais opções para os dia a dia dos consumidores.

Abs, Natália Tiberio.

Imagens: Style.com

Achando graça com o Harlequin

Harlequin é um estúdio de design inglês que cria tecidos para decoração, papéis de parede e acessórios como tapetes, toalhas e jogos de cama. Com muito charme.

A coleção mais nova se chama “Folia” e é inspirada em tecidos escandinavos do sec. 20. Muitas cores, motivos botânicos que resultam em combinações vibrantes, mas bastante aconchegantes.

O site deles é super “entre que a casa é sua”. E você fica à vontade pra ver todas as coleções, os “set designs” – que são as composições com ideias de usos em móveis, cortinas e almofadas.

E se depois de ver tanta coisa bonita, você se sentir inspirada(o), vá ate a seção “Scrapbook”. Lá você cria suas combinações e painéis de inspiração, adicionando os padrões das coleções que mais gostou.

Dá pra imprimir, enviar para os amigos ou se registar e rever tudo depois no próprio site.

Corre lá, depois me diz o que achou! harlequin.uk.com

Abs, Natália.

Imagens: Site Harlequin

O “boom” do Brasil no verão italiano!

Estou passando um tempo na Itália, mais especificamente em Catania, na Sicília.

É verão por aqui, o calor é grande, 28/30 graus as 17hrs, só pra se ter uma ideia. Apesar de bem mais seco, o clima é bem parecido.

Não sei se é só no verão pela curiosidade que as pessoas tem pelo Brasil e pela associação que se faz com calor, praia, aquela coisa toda, mas o pais está super falado por aqui.

No mês passado a edição italiana da Marie Claire  trouxe um especial com chamada de capa sobre o “Boom Brasile”. A versão on line deste especial, você pode ver aqui.

Traz matérias com nomes do design, arquitetura, caras novas da musica, com destaque para as mulheres, editorial em Ipanema (que não podia faltar) e coisas um pouco menos óbvias como videozinhos com jovens empreendedores de Campinas e Cordislândia (!) em Minas Gerais.

A Havaianas está na vitrine de uma das principais lojas de departamento italianas, aqui em Catania em uma avenida bem movimentada e importante do comércio. Os anúncios, cheios de elementos brasileiros, são de pagina dupla nas revistas de moda e lifestyle.

Havaianas na vitrine em Catania

Havaianas nas revistas

Tem também a coleção especial que o Amir Slama desenvolveu para a marca de moda praia Yamamay. São 50 peças que foram inspiradas pelos “trio elétricos do Carnaval da Bahia” .

Estive um uma das lojas para ver a coleção. Os biquínis tem estampas bem coloridas e as calcinhas são um pouco menores do que as comuns europeias. Os maios são bem bonitos. Bem bonitos mesmo, com recortes  e drapes. Deu certo, porque em 2013 tem mais.

Ainda na Yamamay, encontrei uma coleção que leva o nome  de “Copacabana 16”, mas não consegui muitas informações, já que, nem no site da marca, existe nenhuma referência à ela.  O que consegui achar em blogs, fala sobre uma “coleção assinada por jovens estilistas brasileiros”, assim sem citar nomes.  Achei bem curioso, porque as peças estão na entrada da loja e levam inclusive etiquetas com bandeirinhas do Brasil.

Até as lojinhas de bairro estão na onda brasileira. A “Mariu” fica numa rua paralela a do meu apartamento e está com uma vitrine temática, com direito a Cristo Redentor!

A lojinha aqui do lado de casa

Acho que as pessoas e as empresas tem curiosidade sobre o Brasil mesmo, mas agora com um diferencial. De quem está subindo na escala da economia e atraindo os olhares para novos oportunidades que aqui – para eles – já não se encontra mais.

Abs, Natália.

Fontes e imagens: Site Amir Slama, Yamamay, marieclaire.it, vogue.it

Dançando quadrilha com Volpi, Herchcovith, etc.

Ontem foi Dia de São João, ponto máximo das comemorações juninas.

A coisa ainda está pegando em Caruaru e só de pensar nas delicias de milho, mandioca e amendoim, já da vontade de me mandar pra lá!

Eu adoro festa junina! Acho alegre, divertida, colorida, tem um clima gostoso.

Também adoro ver que uma porção de gente boa se sentiu inspirado por ela – em algum momento – e o produziu coisa bacana.

Gosto dos quadros de Arte Naif  – aquela do artista sem formação erudita, esquema autodidata – que retratam a festa com um colorido vivo de encher os olhos de brilho, das consagradas bandeirinhas e mastros que Alfredo Volpi pintou nas décadas de 50 e 60 e ganhou o mundo depois.

 

Arte Naif – Festa Junina de Francisco Lopez da Silva

Ele pegou um elemento de uma festa bem popular e botou pro mundo ver.  Foi e ainda é visto em galerias silenciosas sob alguns rótulos – que ele rejeitava – de expressionista ou concretista. Mas é festa junina. É  popular, esta lá.

Volpi e as Bandeirinhas

Em 2007, Volpi inspirou  a coleção de inverno da Maria Bonita Extra que trouxe para a moda lindas estampas e fez todas as  mocinhas quererem dar uma volta na quermesse com seus vestidinhos e blusinhas de bandeirinhas coloridas.

As meninas da Maria Bonita Extra

O que dizer então de Alexandre Herchcovitch?

Usa xadrez em suas coleções desde que era “roupa de festa junina” e sempre fez um ótimo trabalho, criando padrões nada óbvios, deixando suas peças prontas para irem do arraial às ruas.

Herchcovitch 2004 e 2005

 

Nessa última coleção feminina, recém apesentada, que pelo que andei lendo não tem nenhuma inspiração junina, Alexandre levou para a passarela vestidos com grandes corações coloridos sobrepostos ao xadrez grandão  de fundo.

Herchcovitch feminino

É puro São João!

Tem alegria da quadrilha e o romantismo ingênuo do correio elegante!

Citei alguns – poucos – nomes de gente que produziu coisa boa tendo as festas juninas como inspiração clara, e outros cuja interpretação do trabalho é minha, por isso sinta-se à vontade para deixar mais algumas ideias.

Abs, Natalia.

Fontes e imagens: Site Chic, Enciclopédia Itau de Artes vVsuais, FFW Fashion Foward