Popular no exterior, luxo no Brasil

Ando acompanhando pela internet a abertura de lojas “gringas” no Brasil.

Acho bacana que o país tem se tornado atrativo para grandes grupos internacionais, incluindo os de luxo.

Mas, confesso que não consigo entender porque uma loja tão popular aqui na Europa como a Sephora por exemplo, que tem uma loja em cada esquina de Paris, Londres e até aqui em Catânia(!) onde com qualquer 5 euros, você compra alguma coisa, nem que sejam esmaltes, chega no Brasil, abrindo sua primeira loja no Shopping JK Iguatemi, ao lado de marcas de luxo como Gucci e Dior.

Por que essa mudança de posicionamento? Ok, sei que a maioria dos produtos que a Sephora venderá em sua loja brasileira é de importados e que isso joga o preço de qualquer produto nas alturas, mas ainda assim, será que não seria mais interessante abrir uma loja em um local mais acessível e tentar trabalhar com alguns produtos igualmente mais acessíveis ao bolso da parcela da população que mais dispõe de dinheiro para comprar atualmente: a tão falada “nova classe média”?

Porque não venha me dizer, como fez o Sr. Jereissati aqui, que o público que irá ao JK Iguatemi é a classe média! Quando leio “luxo” e “classe média”  na mesma frase, acho que tem algo errado.

Ou será que uma pessoa que ganha os seus 2 mil reais – está portanto dentro da classe média, segundo critérios do IBGE visto aqui – faz umas comprinhas de fim de semana no JK? E carrega feliz suas sacolas Gucci, Dior e afins?

Tenho quase certeza que não.

Me parece bastante incoerente empresas chegarem no Brasil para aproveitar a “maré” da classe média e se posicionarem no mercado de forma inacessível a maiora dela.

Assim como a Sephora, a Top Shop é um outro exemplo.

Fast-fashion inglesa super popular, que vende para as jovenzinhas sem muita grana para gastar, mas que querem modelinhos “descoladinhos”.

Li que tem vestidos a partir de 210 reais e por aí vai. Não acho um preço muito classe média em comparação as C&A’s e Renner’s da vida.

Apesar do “equívoco” de posicionamento – na minha opinião – acredito que as lojas serão um sucesso no Brasil. Mas para o mesmo público que já está acostumado há tempos a sair do país e fazer suas comprinhas no exterior e que podem pagar mais caro por esses mesmos produtos no Brasil. Que certamente não é a classe média.

Abs,

Natália Tiberio.

Saindo para ver o mundo, o Brasil descobre o Brasil.

Tive um problema com a internet na semana passada, por isso não consegui publicar nada nestes dias 😦

Bom, após ter lido este post “Levante a cabeça, massa-rainha” do blog da Vivian Whiteman que considero a pessoa que melhor escreve sobre moda no Brasil, minha primeira reação foi: é isso ai, assino embaixo! Mais tarde, depois de ter pensado mais sobre o assunto (sim os textos da Vivian tem este poder, coisa rara hoje em dia) resolvi escrever este post.

Não que eu tenha mudado totalmente de opinião, pois acredito que ficar se espelhando em criações e elites “criativas” que nada tem a ver com o estilo de vida da grande maioria dos brasileiros é se manter num eterno lenga lenga que nunca vai chegar a uma moda/estilo mais com cara de Brasil.

Porém, pensando na “massa rainha” me perguntei: será que o Brasil está preparado para o desapego consumista-inspiracional-americano-europeu? Será mesmo que é isso que as pessoas querem no momento? Eu acho que não.

O pais com a classe média em ascensão que já é mais da metade da população e com um pouquinho mais de dinheiro para gastar está começando a descobrir o mundo agora. Sem ser somente pela internet através dos blogs de streetstyle, revistas internacionais e afins.

Estão saindo pra conhecer os lugares que sempre sonharam, visitando as lojas e comprando marcas que sempre admiraram.  Estão efetivamente começando a consumir as coisas de fora porque só agora elas estão mais acessíveis. E acredito que esta vontade deve permanecer por mais um tempo.

Ouvi de uma professora uma vez que só quando a gente sai do nosso pais é que aprende a olhar para ele de uma forma nova. E acho que este é o caminho.

Depois da “massa rainha” ter ido ver o mundo é que ela vai parar e olhar  para si mesma e ver o que tem realmente a cara dela, que soluciona seus problemas e que acompanha o estilo de vida que ela leva.

E as marcas brasileiras vão ter que entender isso. Que o que eles ditam como a última moda não sei aonde, simplesmente não vai mais atender a essa massa que pega trem-ônibus-metro, anda pelas calçadas esburacadas e enfrenta todas as estações do ano num só dia, numa cidade como São Paulo.

Não dá pra sair de casa com aquele vestidinho esvoaçante com uma “tendência transparência” + saltos matadores e andar 2 horas de condução lotada minha gente!

Mas é uma questão de tempo e de descobertas. Primeiro do mundo. Depois de nós mesmos.

Pode ser que demore mais um pouquinho, mas certamente acontecerá.

Abs, Natália.