O amadorismo e a moda

Este é um post desabafo.

Sobre o descontentamento com nossos “empregadores” da área de moda.

Tenho participado de algumas seleções de trabalho, conversado com gente da área na mesma situação e realmente não dá para entender o amadorismo em que tantas empresas trabalham e tratam candidatos e empregados.

E dá-lhe “chefes, diretores e rh’s” que te dão chás de cadeiras horrorosos, que não se preocupam em ler seu currículo previamente enviado e te fazem repetir cada linha, que te entrevistam em 5 minutos, sem ao menos olhar na sua cara, que te mandam responder questionários com perguntas que não fazem nenhum sentido, tipo “Cite situações que mostram sua disposição para trabalhos árduos “ – oi?, que te pedem para fazer uma “pesquisinha” ou para fazer desenhos para ver como você “trabalha, desenha”, que não te dão nenhuma satisfação sobre o andamento/conclusão do processo, mesmo que você não tenha sido selecionado. Até chegar as situações mais desrespeitosas:  dizer que você não tem experiência suficiente te forçando/induzindo a aceitar um salário mais baixo ou pessoas que acertam com você a criação de peças/coleções e depois do trabalho pronto, somem. Sem te pagar, é claro.

É incrível como todo mundo que trabalha na área tem uma estória do tipo para contar.

Me espanta a precariedade como muitas empresas, inclusive as com “nome, visibilidade” e que cobram fortunas por suas peças, funcionam sem nenhum profissionalismo, com superiores com síndromes de gênios que tratam as pessoas sem nenhum respeito, gritando, humilhando e por aí vai.

E uma das coisas mais ruins que acontecem é que tem muita gente que se submete a essas situações.

Que trabalha sem ganhar nada, só pelo nome da empresa, que aceita remunerações ridículas enquanto se mata de trabalhar e ouve gritos e escândalos quietos.

De um setor industrial que é o segundo maior empregador da economia brasileira, estamos bem mal.

Não sinto nenhuma valorização do profissional que estuda mais, que faz cursos, que investe em uma pós graduação.  Isso simplesmente não é levado em conta.

E me faço uma pergunta sempre:  Como são/serão absorvidos todos os milhares de profissionais que estão saindo das faculdades de moda?

Porque iniciativas que incentivem a criação de empresas, que dão suporte comercial e de negócios para esse pessoal também não conheço quase nenhuma, pelo menos por parte das entidades ligadas ao setor.

Um mercado tão glamurizado, tão cheio de pompa e tão amador…

Abs,

Natália.

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